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A infância de um engenheiro

Por Luiz Felipe Proost e Souza


Às vezes fico me perguntando! Como surgem as vocações?


Ser isto, ser aquilo, como os indivíduos formam as suas convicções e seus desejos desde sua mais cedo idade, até mesmo ainda, não conscientes de suas razões.


Motivados porquê? Se ainda não possuem o real contato com o mundo lúdico do dia a dia. Segundo a psicologia o uso da razão se dá aos 7 anos de idade nos indivíduos.


Porém vejamos, com esta idade eu já brincava com brinquedos que me remessavam a minha futura arte. Quem não se lembra dos da minha época, do famoso brinquedo “o engenheiro construtor”, que eram pequenas peças de madeira, como pequenos tijolos que nos levavam as maiores criatividades de construir pequenas casas, prédios, fortificações e até mesmo pontes.


Faço aqui um breve adendo, para homenagear uma pessoa extremamente didática e criativa. Surpreendido fiquei, que após ter escrito esta crônica eu a envie a um amigo engenheiro para lê-la, e não é que ele me respondeu com uma matéria inédita divulgada no jornal “A Folha de São Paulo”. Esta matéria homenageia a criadora deste fabuloso brinquedo, Dna Norma Laura Baumhardt Minatto que criou os blocos em 1.956, cujo nome original era o “Construtor”, pudesse ela, imaginar o alcance que teve nas gerações vindouras de sua época?


De outros, não menos famosos brinquedos, o químico industrial, onde intuitivamente se aprendiam as primeiras experiências daquela arte, dos trenzinhos de corda e para os mais abastados, os elétricos, dos aeromodelos, entre tantos outros. Os nossos pequenos carrinhos de madeira ou de galalite, as pequeninas obras de terra no quintal ou mesmo no meu caso, como caiçara, nas areias do Embaré, fazendo túneis, descobrindo o ângulo de repouso das areias do mar, pequeninas estradas de terra onde nossos modelos de veículos transitavam. Dos pequenos barquinhos de madeira, que levava para enfrentar as pequenas ondas do mar, ou daqueles de lata onde acendíamos mechas embebidas de álcool para aquecer a água que aquecida borbulhava e os punham em circulação, consequentemente isto nos levava a observação, a intuição, desenvolvendo nossa imaginação desde cedo. Tudo isto de antes do surgimento dos “legos”.


Daí vem a construção de papagaios, de aeromodelos, cata ventos, que nos levam as tímidas experiências com as forças eólicas. Já de pequenos começávamos a enxergar o mundo com olhos de engenheiros, imaginativos, criativos, pesquisando, “engenheirando”, e desenvolvendo o famoso sentimento estrutural, nós já estávamos na alvorada do real “estar engenheiro.”


Motivados pelos nossos simples brinquedos infantis, que eram didáticos e nos levavam aos desafios, qual a máxima altura que poderia ter um predinho a ser construído com aquelas pequenas pecinhas. Ia-se elevando, até que em determinada altura aquela pequenina estrutura saia do prumo, pronto estava descoberta a perda da estabilidade, de forma intuitiva e interativa. Quando trançávamos as varetas do papagaio, que era uma triangulação, criávamos o equilíbrio estático geométrico, pronto, mais uma descoberta, a formação da estabilidade de uma estrutura. Tudo isto nos levava a querer “ser” engenheiro, era o que faltava, logo a busca pela academia, onde iriamos aprender os cânones da profissão.


Um artista nasce artista, se desenvolve como artista, pois a arte é criatividade, solução de problemas, novos desafios a serem resolvidos. Academia alguma forma artista, e sim fornece os cânones para o melhor desenvolvimento da arte, de sua criatividade, de seu talento. Desta forma devemos “estar” engenheiros, olharmos o mundo ao redor com olhos de engenheiros, e “ser” engenheiros, para dar soluções criativas e que compatibilizem com a economia, a segurança e o equilíbrio ambiental sustentável.


Assim podemos dizer que “estar” engenheiro é ser observador e ser criativo, nato do indivíduo talentoso, que traz soluções singulares para o novo desafio, é o artista. Ser engenheiro é trazer aquela solução criativa, e aplicar os cânones da arte, ensinada pela academia, adequando aos princípios da economia, da segurança e do equilíbrio ambiental. Todo este caminho nasce desde cedo, na infância, sendo esta de fundamental importância para o indivíduo e para a sociedade, devendo ser muito respeitada por todos nós seres conscientes.


Luiz Felipe Proost e Souza é Engenheiro Civil, Administrador, Mestre em Saneamento Ambiental, Professor Universitário, Perito Judicial e Membro dos Conselhos Deliberativo e Consultivo do IE.

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