top of page

EngD participa da organização da Rio+30



Foi realizada na sexta feira dia 28 out. 2021 a Plenária de lançamento Cúpula dos Povos Rio +30


Convocada pelas entidades e movimentos: Abong, AMB, CMP, Coletivo Memória e Utopia, CONAQ, FBOMS, FEACT Brasil, Fórum da Reforma Urbana, Greenpeace, MAB, Via Campesina Brasil, e com a participação de 80 representantes a Plenária de Organização da RIO+30 reuniu mais de 40 entidades e organizações ambientailistas, sindicais e de juventude.


O documento apresentado pela organização explica as razões e os objetivos:


Compartilhando nossos princípios para esse processo:

Convocar com a diversidade de movimentos e múltiplas identidades e cidadanias políticas uma Cúpula dos Povos Rio+30, dias 25, 26 e 27 de maio de 2022;

Será um diálogo sociedades-sociedades, sem agendas com empresas e com Estados ou com organismos multilaterais de Estados;

Nossas posições como Cúpula devem ser radicais, não no sentido de sectarismos, mas no sentido elaborarmos propostas que deem conta das urgências que estamos enfrentando (Cidades, Clima, Florestas, Racismos, Genocídios, Fundamentalismos, Fobias de Gênero...);

A diversidade não pode ser um apêndice de causas maiores, todos os sujeitos envolvidos devem expressar suas vozes, da forma que conseguirmos;

Queremos uma convergência de lutas e iniciativas em torno de uma Rio+30 dos povos, baseadas no princípio da não-competição e da igualdade das partes;

Trabalharemos sem muitos recursos financeiros, dentro do possível, com a contribuição dos nossos trabalhos como movimentos, redes e fóruns, nacionais e com conexões internacionais.


Convocam:

Abong, AMB, CMP, Coletivo Memória e Utopia, CONAQ, FBOMS, FEACT Brasil, Fórum da Reforma Urbana, Greenpeace, MAB, Via Campesina Brasil.


DOCUMENTO PARA DEBATE NA PLENÁRIA


RIO+30: O Brasil independente que queremos no planeta vivo!

Queremos nos juntar com alegria a todas as vozes e braços livres e independentes que se dedicam a construir um Brasil igualitário, democrático, justo e em harmonia com todas as vidas do planeta, nos convocando a refletir e a dar visibilidade as nossas ações na construção desse mundo mais harmonioso entre os seres humanos e com a Natureza. Assim, queremos propor a retomada em 2022 dos encontros de 1992 e de 2012, numa RIO+30 que chamamos a construir coletivamente! Que novas forças e energias poderemos recolher como sociedade civil desse tempo de crise agravada pelo coronavírus, onde os desafios de uma sociedade cindida em classes em uma história de lutas, avanços e recuos, são atualizados pela força violenta dos poderes dominantes? A conjuntura do neoconservadorismo, do fundamentalismo e do fascismo no poder nos desafia ao embate desde os valores solidários, igualitários e democráticos.

Fora das ruas organizadas, mas crescentemente presente em cada relação na base da sociedade, a solidariedade aparece como força de enfrentamento concreto. Contra as negações dos discursos de ódio e os mecanismos do terror para dominar, a solidariedade aparece a cada morte ao lado, a cada familiar contaminado, e a cada conexão para salvar vidas. A solidariedade está presente na classe trabalhadora, formada de homens e mulheres que com seu trabalho produzem todas as riquezas do país. Ela está no povo preto, nos povos indígenas, entre a juventude que sofre violência nas periferias, entre as mulheres, na população LGBTQIA+. Todos esses grupos, incluindo os que estão na informalidade com fome, as lutadoras e os lutadores por terra, trabalho, teto, paz, pão e energia, são os sujeitos desses enfrentamentos de classe, de povos, desde o colonialismo e seu modo de produção capitalista. Somos uma sociedade que aprendeu na carne que a mera condição de poder estar sob um teto sem aglomeração é um direito, que para tantas pessoas aparece como um privilégio As comunidades de ativistas de hoje que são anticapitalistas, conscientemente ou não, são o avesso da competição e destruição do adversário e da natureza que o espírito do capitalismo supõe, e podemos estar juntas em um concerto de proclamações para 2022. Seremos uma grande frente da solidariedade que quer: Sociedades que distribuam, para todos e todas, a riqueza produzida e não concentre renda. Países que protejam as estruturas da saúde, seguridade e assistência social; que tenham uma renda básica da cidadania e que acolham os mais velhos e necessitados. Sociedades que elejam os direitos humanos e a liberdade acima das orientações de fé, e que constituam seus Estados de forma laica, sem misturas das suas ações com valores e aprovações religiosas. Onde nunca haja moeda de troca entre a inclusão de todas pessoas em sua dignidade humana e suas decisões baseadas ou não na fé. Sociedades que produzam e se reproduzam: sem depender do racismo para sobreviver, libertando-se do modelo que mata a juventude preta com números genocidas, para sustentar o trabalho explorado, preto e dócil, de que precisa há séculos, ameaçado pelo terror cotidiano dos tiros de morte nas periferias; sem depender da exploração das mulheres e de todas as responsáveis pelo trabalho invisível da produção doméstica, que se junta a todas as outras formas de sustentação de cada dia, e, infelizmente, da riqueza de pouquíssimas pessoas; Países que comemorem a rebeldia, daquelas e aqueles que não têm bens a perder, por que não acumulam, ao contrário, sustentam com seus modos de vida a circulação de ar, de águas, de florestas e de terras em territórios com suas vidas tradicionais: indígenas, quilombolas, ribeirinhas, extrativistas em conexão com os modos de vida nas urbanidades; Sociedades que finalmente rompam com a sua herança escravocrata e racista, eliminando seus efeitos estruturais e seus impactos na vida cotidiana; Países descolonizados de sua dependência de exploração da natureza, seus minérios, sua energia e sem a expulsão de gente de suas terras e de seus territórios para monoculturas, gados ou simplesmente para um patrimônio seguro contra as ondas das crises globais financeiras; Sociedades que reconhecem do fazer arte, do se comunicar, do protagonizar na internet diversão, debate e educação como lugares de pessoas com modos de vida novos que merecem respeito e cidadania.

Queremos tudo isso e mais, das vozes que fazem os Países - um lugar com independência, soberania e democracia.



Por que RIO+30?

O contexto que vivemos expõe a necessidade de irmos à raiz dos nossos problemas no Brasil e no mundo. Está evidente desde 1992, na primeira conferência pela Ecologia e o Meio Ambiente global realizada no Rio de Janeiro, Brasil, que os rumos que seguiam os modelos hegemônicos de produção e de reprodução da vida estavam nos conduzindo para a morte do planeta e da vida nele como conhecemos. A socio-biodiversidade não foi respeitada e a grande ameaça se confirma contra todas as advertências científicas e de saberes tradicionais dos povos e sociedades.

Em 2012 as soluções que se apresentaram do ponto de vista dos governos por um lado não são cumpridas, por outro pactuaram soluções sem ir à raiz dos problemas: de que precisamos quebrar o ciclo de hegemonia de um só modo de produção, que se mostrou como uma máquina de explorar e consumir todos os recursos naturais disponíveis: os vegetais, os minerais e os humanos – o modo capitalista. Desde 2012 se tentou justificar com o batismo de verde formas de avanço sobre a natureza do capital, mas o que permanece é a ameaça, traduzida no aquecimento global como um medidor do desastre que se aproxima até 2050, que passa por uma revisão de como estamos no planeta até 2030 – e sabemos que não vamos bem.

Devemos retomar o tema da vida autônoma dos povos no planeta de forma nova e urgente, que vá à raiz do que é melhor para vivermos, ou seja radical, e que traga no seu bojo novas relações de produção e sociais, onde a vida seja o centro do desenvolvimento. Ao menos é o que a experiência recente antes e durante a pandemia da Covid-19 indica. Está presente no cotidiano com o corona vírus que outros modos de vida precisam nos resgatar desse redemoinho e labirinto sem saída em que o capitalismo nos meteu – em muitos ciclos de renovação, renomeando-se neoliberal, segue um modo que nos leva à morte – sem solidariedade, sem cuidado, com competição e baseado na desigualdade que se garante pelas formas diversas de poder para poucos sobre muitas gentes.

Precisamos escutar e aprender novamente de diversos modos de produzir e reproduzir a vida, com outras cores, sem pintar o capitalismo de “verde”, mas de nos reconstruirmos como civilização nas diferentes formas de viver: no campo ou nas cidades, mas todas em equilíbrio com o planeta. A exemplo das experiências de lutas e resistências da classe trabalhadora e dos modos de vida e de cultura dos povos indígenas, do povo negro e de uma diversidade enorme de comunidades rurais e urbanas do Brasil e do mundo.

O mundo também passa por desafios novos e a necessidade de transição para uma renovação civilizatória radical que demanda debates, interação e soluções a surgir da sociedade civil, que precisa encontrar momentos para expressar as possibilidades, trocar experiências e juntar toda a sabedoria que a diversidade possa gerar. A pandemia ger ou mais pobreza, mais desigualdade e uma concentração de renda cada vez mais indecente. Populações com fome, trabalhadores e trabalhadoras em situações de trabalho degradantes, serviços públicos privatizados, e em soma, uma crise econômica sem precedentes. Os tempos neoliberais de miséria, de naturalização da desumanização e de guerra devem ser superados, colocando a vida acima do lucro no centro.

Chamamos aos movimentos sociais internacionais, que já se juntaram na Eco 92, na Rio+20 e nos diversos fóruns sociais mundiais para aproveitar esta oportunidade que a simbologia da Rio+30 nos oferece para uma vez mais assumir coletivamente a construção de rumos de paz para o planeta, de equilíbrio com a natureza e de amorosidade entre os seres humanos.

Aceitar esses desafios que os tempos nos trazem no contexto de uma chamada Rio+30 é, a seu modo, uma forma de convidar a todo o mundo para que se reinventem desde suas alteridades, autonomias e soberanias, assim como nós queremos resgatar o Brasil e construir saídas pela independência de classe e dos povos, de um país que almejamos.

Fazer isso de forma global e ambiental é, além de tudo, uma necessidade. Pois o nosso futuro, tem urgência e não pode esperar.

Estejamos em conexão nos dias 25, 26 e 27 de maio de 2022

e nos processos que nos levarem até lá.


A plenária debateu os temas a partir da proposta inicial




Outros pontos de debate foram sugeridos e serão analisados em novas Plenárias.

O objetivo é debater desde já e até a realização da Rio+30 em Círculos de Vozes e Saberes, para ir formando consensos, sem hegemonismos, e com a preocupação em unir forças para retirar o país do atraso negacionista que destrói o ambiente e sacrifica nosso povo, e lutar para que se apliquem na prática acordos e metas ambientais que tardam a sair da pauta ou dos papeis na esfera governamental.


"Sem mobilização e pressão da sociedade organizada a luta não avança" foi a tônica das intervenções dos participantes.




Foram criadas 3 comissões de trabalho e preparação da Rio+30




A EngD participou com uma delegação como representantes para este movimento com os colegas Miguel Manso (SP), Amauri Polacchi (SP), Amaury Monteiro (SP), Fábio Zamberlan (RJ), Gerson Tertuliano (GO), Iso Sendacz (SP), Lélio Falcão (RS), Martha Simas (SP), Maurício Habert (SP), Natividade (SP), Roberto Giordano(SP), Thereza Neumann(CE), Ubiratan Félix Pereira(BA), Paulo Massoca (SP).


A EngD expressou através de seus representantes o desejo de colaborar em todos os níveis da organização e dos debates temáticos desta importante iniciativa em defesa da Vida e do Desenvolvimento Sustentável.


Será criado um Grupo de Trabalho específico da EngD para que todos os membros interessados possam integrar a Rio+30


Propostas e sugestões podem ser encaminhadas para os Núcleos da EngD ou diretamente para o email cupulapovosrio30@gmail.com


19 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

Kommentare


bottom of page