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O show de horrores do transporte privatizado chega ao horário nobre

José Manoel Ferreira Gonçalves é engenheiro, membro do Conselho Consultivo da EngD e presidente da FerroFrente (Frente Nacional pela Volta das Ferrovias).


Em artigos anteriores, havíamos alertado para os diversos problemas apresentados pelas concessionárias privadas das linhas urbanas de ferrovia e metrô que atendem a população da Grande São Paulo: insegurança, inexperiência e falta de fiscalização.


Esse quadro caótico se repete diariamente na metrópole, e agora se tornou conhecido de todo o país, a partir de uma matéria veiculada no último domingo no Fantástico, que escancarou o descaso com que as empresas que detêm a concessão tratam o transporte público.


Em março, quando das colisões frontais de trens na Linha 15 do metrô, já tínhamos levantado a hipótese de falta de treinamento adequado aos condutores. Essa suspeita foi confirmada pelo depoimento de um maquinista no programa da Rede Globo, relatando que o treinamento de condutores executado pela ViaMobilidade fora reduzido de seis para dois meses de duração. Mas, conforme já se esperava no desenrolar dos acontecimentos, a culpa pelo ocorrido recaiu sobre os ombros de pessoas que, agora se sabe, não tiveram a oportunidade de passar por um treinamento adequado.


A matéria confirma também o aumento exponencial do número de falhas na operação, que já renderam à ViaMobilidade um total de R$ 10 milhões em multas. Isso em menos de um ano e meio de atividade!


Quem trabalha com a operação de trens e composições percebe imediatamente que há algo de errado, e evita usar o transporte público gerenciado por essas concessões. Mas a população como um todo desconhece esses sinais e não teria, de fato, outra alternativa a não ser prosseguir convivendo com panes, a insegurança nos trajetos e o desconforto de atrasos e condução lotada. Até que um acidente mais grave, como um descarrilamento, aconteça. Seis deles já foram registrados desde fevereiro do ano passado.


Existem ainda riscos que não estão aparentes e são igualmente preocupantes, como a degradação de dormentes – potencial foco de descarrilamentos – e a sinalização deficiente.


Em países com alto índice de desenvolvimento, ferrovias são sinônimo do direito de ir e vir, um orgulho para a população que delas se servem. São um retrato de como a gestão pública trata o povo e suas demandas. A julgar pelo que estamos presenciando com os trens e metrôs de São Paulo, o governo aqui não dá a mínima para a população que precisa se deslocar todos os dias. A preocupação maior, pelo jeito, é privatizar os serviços.

Devemos cobrar das autoridades um rígido controle e fiscalização dessas concessões, e até mesmo a correção de rumo do viés privatista que está entregando nossas ferrovias a mãos despreparadas e sem compromisso com o bem-estar da população.

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