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Requerida ao Presidente da República a suspensão da aquisição da AKAER pelo Grupo EDGE

  • 24 de jul.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 30 de jul.

A autonomia tecnológica e a valorização da engenharia nacional são indissociáveis da soberania do Estado e da garantia do futuro democrático e desenvolvimentista do Brasil.


A Akaer, empresa brasileira líder em inovação no setor aeroespacial, participa da montagem do cargueiro C-390 Millennium (aeronave de defesa) e do jato Praetor 600 (aeronave executiva), duas das principais aeronaves da Embraer. Foto: divulgação.
A Akaer, empresa brasileira líder em inovação no setor aeroespacial, participa da montagem do cargueiro C-390 Millennium (aeronave de defesa) e do jato Praetor 600 (aeronave executiva), duas das principais aeronaves da Embraer. Foto: divulgação.

A Engenharia pela Democracia –EngD e o Clube de Engenharia do Brasil –CEB, entidades que atuam em defesa do desenvolvimento nacional soberano, da valorização da engenharia e do fortalecimento das instituições democráticas, protocolaram, em 23/07, ofício ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertando sobre os riscos à Soberania Tecnológica, à Engenharia Nacional e à Base Industrial de Defesa (BID) ante a aquisição integral da AKAER pelo Grupo EDGE, requerendo suspensão preventiva dessa operação.

O Grupo EDGE, conglomerado estatal de defesa sediado nos Emirados Árabes Unidos, anunciou formalmente, dia 16/07, a aquisição de 100% do controle acionário da empresa brasileira AKAER Engenharia S.A., sediada em São José dos Campos, SP.


A AKAER acumula mais de 30 anos de atuação e mais de 10 milhões de horas de engenharia aeroespacial de altíssima complexidade. A empresa consolidou-se como um dos pilares mais sensíveis e estratégicos da nossa Base Industrial de Defesa (BID), tendo participação direta e crucial no desenvolvimento de programas de Estado fundamentais e que contam com pesados investimentos públicos, tais como o caça F-39 Gripen para a Força Aérea Brasileira (FAB),o cargueiro multimissão Embraer KC-390 e o programa de modernização da viatura blindada de reconhecimento EE-9 Cascavel do Exército Brasileiro.

Ademais, o Grupo EDGE já detém 50% de participação na SIATT (especializada em armas inteligentes e mísseis) e o controle da Condor (tecnologias não letais). A transferência do controle total da AKAER para um fundo estatal estrangeiro representa uma expressiva perda de autonomia sobre a capacidade de inovação e inteligência de engenharia do Brasil.


O ofício ressalta que no complexo cenário geopolítico global contemporâneo as grandes potências mundiais protegem ferozmente seus complexos industriais-militares e seus cérebros tecnológicos. A inteligência de engenharia de alta complexidade desenvolvida em solo brasileiro não pode ser alienada, sob o risco de rebaixar o país à condição de mero executor de tecnologias estrangeiras, inviabilizando nossa independência de defesa.


Nesse sentido, as entidades também invocam as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa (END) e os ditames da Lei nº 12.598/2012 — que estabelece normas especiais para as Empresas Estratégicas de Defesa (EED) — para solicitar que o Presidente da República, no uso de suas atribuições constitucionais e por meio dos Ministérios e conselhos competentes, determine e certifique:


i. A Suspensão Preventiva da Operação: Invocando expressamente o Princípio da Precaução, aplicado de forma análoga à segurança do Estado e ao patrimônio tecnológico estratégico, requer-se a imediata suspensão administrativa da operação de compra e venda e de qualquer ato de transferência de controle ou de tecnologia aeroespacial da AKAER para o Grupo EDGE, até que o governo federal, por meio dos seus órgãos técnicos e de inteligência, conclua uma auditoria aprofundada sobre os impactos da transação;


ii. A Ativação de Salvaguardas Tecnológicas Governamentais: adotar medidas de Estado e salvaguardas para garantir que a propriedade intelectual, os códigos-fonte e os segredos industriais dos projetos sensíveis (como o Gripen e o KC-390) permaneçam sob estrito domínio e governança do Estado brasileiro;



iii. A Proteção do Corpo Técnico Nacional: implementar mecanismos para que a inteligência e a engenharia aeroespacial sênior da AKAER permaneçam gerando valor dentro do território nacional, evitando a fuga de cérebros e o esvaziamento tecnológico do polo de São José dos Campos;


iv. A Garantia de Autonomia Geopolítica: assegurar que a produção e o suporte logístico dessas tecnologias de defesa não fiquem sujeitos a embargos políticos externos ou a decisões estratégicas de um governo estrangeiro, preservando a autonomia das Forças Armadas brasileiras;


v. A Fiscalização Rígida do Status de EED: fiscalizar por meio dos órgãos federais de inteligência e controle o cumprimento dos requisitos legais de Empresa Estratégica de Defesa (EED), dado que a gestão e o controle efetivo sobre as tecnologias de uso militar devem constitucionalmente resguardar o interesse nacional.


O documento finaliza asseverando que a autonomia tecnológica e a valorização da engenharia nacional são indissociáveis da soberania do Estado e da garantia do futuro democrático e desenvolvimentista do Brasil.


Conheça o ofício enviado ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinado pelo presidente da EngD Paulo Massoca e presidente do Clube de Engenharia Francis Bogossian:


Conheça o ofício do Gabinete Pessoal do Presidente da República informando de encaminhamento junto ao Ministério da Defesa:



Cascavel NG, um marco no processo de modernização conduzido pelo Consórcio Força Terrestre, sob coordenação da Akaer, em parceria com a Diretoria de Fabricação do Exército Brasileiro. Foto: divulgação.
Cascavel NG, um marco no processo de modernização conduzido pelo Consórcio Força Terrestre, sob coordenação da Akaer, em parceria com a Diretoria de Fabricação do Exército Brasileiro. Foto: divulgação.

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