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EngD participa da organização da campanha "Salvemos a Guarapiranga"

há 2 horas
4 min de leitura

Lançamento da campanha no SEESP reuniu 42 representantes de entidades e cobra do Governo do Estado prestação de contas, dados atualizados e ações efetivas para a recuperação de um dos principais mananciais de São Paulo


A represa Guarapiranga vai sucumbindo frente às fortes pressões decorrentes da ocupação urbana descontrolada, das deficiências de saneamento e do lançamento de esgotos e nutrientes na sua bacia hidrográfica e o descaso do Governo do Estado de São Paulo.
A represa Guarapiranga vai sucumbindo frente às fortes pressões decorrentes da ocupação urbana descontrolada, das deficiências de saneamento e do lançamento de esgotos e nutrientes na sua bacia hidrográfica e o descaso do Governo do Estado de São Paulo.

A EngD integra a coordenação da campanha Salvemos a Guarapiranga, lançada em 23/09/2026, no encontro realizado no Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo -SEESP. A reunião reuniu 42 representantes de entidades da sociedade civil, universidades, organizações profissionais e movimentos ligados às questões ambientais, urbanas e de saneamento.


O engenheiro civil e ambiental Ivan Carlos Maglio, integrante do Conselho Deliberativo da EngD, e o presidente da entidade, engenheiro Paulo Massoca, participaram da organização e articulação da campanha, coordenada pelo Eng. Fernando Gomes, do Conselho Tecnológico do SEESP, que pretende colocar novamente a recuperação da Guarapiranga entre as prioridades da agenda pública de São Paulo.


No encontro foram lançadas a carta Salvemos a Guarapiranga, acompanhada de Nota Técnica sobre a situação atual do manancial e a versão inicial do filme produzido pelo cineasta Camilo Tavares para ampliar a mobilização da sociedade.


A iniciativa, proposta pelo SEESP presidido pelo Eng. Murilo Pinheiro, parte de uma constatação fundamental: a Guarapiranga não é apenas uma paisagem ou uma área ambientalmente relevante. É uma infraestrutura estratégica para a segurança hídrica da maior metrópole brasileira. O sistema associado ao reservatório abastece cerca de 5,6 milhões de pessoas.


Apesar dos investimentos realizados ao longo das últimas décadas, a qualidade da água permanece submetida a fortes pressões decorrentes da ocupação urbana, das deficiências de saneamento e do lançamento de esgotos e nutrientes na bacia.


Medir para saber se o manancial está sendo recuperado

Um dos principais pontos levantados pela campanha é a necessidade de divulgar indicadores objetivos e atualizados sobre a qualidade ambiental da Guarapiranga.


O excesso de nutrientes presentes nos esgotos, especialmente o fósforo, contribui para o excesso de nutrientes — como nitrogênio e fósforo — no reservatório (eutrofização), favorecendo o crescimento excessivo de algas e cianobactérias e aumentando a complexidade e custos do tratamento da água.


Pela Lei Estadual nº 12.233/2006 - a Lei Específica da Guarapiranga, a meta estabelecida como admissível para a bacia é receber até 147 quilos de fósforo total por dia, que deveria ser atingida em 2015. Entretanto, naquele ano, Estudos utilizados no Plano de Desenvolvimento e Proteção Ambiental da Guarapiranga (PDPA) constatavam uma carga estimada próxima de 340 quilos de fósforo por dia.


Passada duas décadas de promulgação da Lei, mais de uma década da data para alcançar a meta definida, é essencial que o Governador do Estado, a quem cabe a coordenação das ações em conjunto com as Prefeitura, responda a perguntas básicas:


  • Qual é hoje a carga de fósforo que chega à Guarapiranga?

  • Quanto ela foi reduzida desde 2015?

  • Quais são atualmente as principais fontes de poluição? Quais metas devem ser alcançadas nos próximos anos pelo Estado e pelas Prefeituras?

  • Quando o Estado assumirá, em articulação com as Prefeituras, com apoio de forças de segurança, o controle do território da bacia coibindo mais desmatamento e ocupações irregulares, atualmente feitas pelo crime organizado?

  • Quais as garantias que a SABESP, agora privatizada, cumprirá suas atribuições de coletar, exportar e tratar 100% dos esgotos?


Para os organizadores da campanha, conhecer os investimentos e as obras realizadas é importante, mas não suficiente. Redes de esgoto implantadas, ligações executadas e recursos aplicados precisam se traduzir em eficiência na redução mensurável da carga poluidora e melhoria da qualidade da água.


Engenharia, planejamento e segurança hídrica

A participação da EngD na iniciativa reforça a necessidade de tratar a recuperação dos mananciais também como um problema a ser resolvido com engenharia, planejamento territorial, políticas públicas e fiscalização.


Saneamento, drenagem, habitação, recuperação ambiental, proteção de córregos e nascentes e controle do uso e ocupação do solo precisam ser tratados de forma integrada.


A ocupação irregular e a expansão urbana sem infraestrutura adequada ampliam a pressão sobre uma bacia que desempenha função essencial para toda a Região Metropolitana.


Para Ivan Maglio, que atua nas áreas de planejamento urbano, ambiental e adaptação climática, a questão fundamental é passar da contabilização de obras para a avaliação dos resultados ambientais obtidos. A sociedade precisa saber , após décadas de programas e investimentos, o cumprimento de metas com a devida prestação de contas, demonstrando como o manancial será efetivamente salvo para as futuras gerações.


O presidente da EngD Paulo Massoca participou da articulação da campanha e da mobilização das entidades, reforçando o envolvimento da engenharia no debate sobre a segurança hídrica e o futuro ambiental das grandes cidades brasileiras.


A carta Salvemos a Guarapiranga propõe que as autoridades responsáveis apresentem respostas objetivas, atualizadas e transparentes sobre a situação do reservatório e sobre as medidas necessárias para sua recuperação.


A mobilização pretende agora ampliar a participação de organizações profissionais, universidades, movimentos sociais e entidades ambientais.


A mensagem central é simples: não há segurança hídrica para São Paulo sem a recuperação efetiva da Guarapiranga.


E recuperar o manancial significa medir resultados, integrar políticas públicas e transformar conhecimento técnico em ações permanentes de proteção da água e do território da bacia hidrográfica da represa Guarapiranga.


CLIQUE AQUI para baixar a carta Salvemos a Guarapiranga

CLIQUE AQUI para baixar a Nota Técnica

CLIQUE AQUI  e assista na íntegra a reunião da Campanha "Salvemos a Guarapiranga!":


Encontro de lançamento da campanha Salvemos a Guarapiranga na sede do SEESP. Foto: Viviana Borges
Encontro de lançamento da campanha Salvemos a Guarapiranga na sede do SEESP. Foto: Viviana Borges

Da esq. para a dir., Paulo Massoca, Ivan Maglio, Fátima Blockwitz, Fernando Gomes e Gilberto Natalini. Foto: Rita Casaro/ SEESP
Da esq. para a dir., Paulo Massoca, Ivan Maglio, Fátima Blockwitz, Fernando Gomes e Gilberto Natalini. Foto: Rita Casaro/ SEESP

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