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Amaury Monteiro Jr.: Carta Aberta à EngD

As eleições do Sistema Confea/Crea e as oportunidades de fortalecimento de nossas bandeiras




Desde o nascimento do movimento Engenharia pela Democracia, em sua Carta de Princípios, eram pontuados como de grande importância a nossa união em torno de duas grandes bandeiras, a saber: 1. A luta pela Democracia 3 D (política, social e econômica) e 2. A luta contra o neoliberalismo e suas políticas econômicas que oprimem e condenam à miséria grande parcela do povo brasileiro.


Já na elaboração de nossa Carta de Objetivos Estratégicos figurava como movimento tático imediato a luta pela derrubada do governo fascista, negacionista e neoliberal que se instalara, pelo voto esclareça-se, no Brasil e que aprofundava as contradições, a miséria e a fome nesse país.


Não preciso reafirmar nesse grupo os efeitos danosos à Engenharia (entendida em seu conceito amplo) provocados pelo acirramento das políticas neoliberais, fortalecidas nos últimos dez anos, que aprofundaram a destruição de nossas indústrias; destruíram nossas empresas de engenharia, privatizaram nossas estatais estratégicas, ou parte delas; afogaram nossas universidades públicas; investiram pesadamente contra a C,T&I; ... focaram no modelo exportador de matérias primas e levaram nossas profissões ao desespero, ao desemprego, ao desalento, além de afugentar os jovens das universidades e da perspectiva de se tornarem profissionais da Engenharia, da Agronomia e das Geociências.


Nesse contexto nasce a Engenharia pela Democracia - EngD, com ideais e militantes focados na mudança desse quadro. Desde o começo a EngD procurou se associar a outros movimentos, já que era do consenso de sua direção e dos seus militantes que era importante a união de todas as forças progressistas para que pudéssemos evoluir e crescer rumo aos objetivos traçados em nossa Carta de Princípios e nosso Plano Estratégico.


A EngD não é um partido político e nem pode ser;, não é uma entidade que se propõe a substituir Sindicatos, associações, Clubes de Engenharia, Federações, Confederações; não é um clube de iluminados e donos da verdade que representam e são o único farol para a libertação da Engenharia no país e... nem pode ou se propõe a exercer esse papel excludente e divisionista que só enfraquece nossas grandes causas expressas em nossa Carta de Princípios.


Sendo assim, é natural que no seu seio existam correntes de opinião e disputas por ideias saudáveis que só podem ser sinais inequívocos de sua vitalidade, importância e força, nunca sinais de disputa fraticida, egoísta, carreirista, exclusivista e personalista que só poderiam contribuir para destruir os fundamentos que estruturaram o movimento idealizado pelo nosso querido companheiro Sergio Storch, uma das muitas vítimas do passado negacionista desse país durante a pandemia da Covid.


Dentro da dinâmica do próprio movimento, a EngD entendeu a importância de participar do lançamento / apoio de candidaturas ao sistema Confea-Crea comprometidas com as nossas grandes bandeiras.


Em conjunto com outros militantes, de outros movimentos, foi lançada a minha candidatura a presidente do Confea, com muito entusiasmos e a adesão de muitos patriotas que nunca deixaram de lutar por esse país. Não há como desconhecer o papel importante exercido pela EngD nessa “costura” e aproximação de forças progressistas até então dispersas, sem rumo e desorganizadas.


Como candidato a presidente do Confea ampliei o leque de conversas, debates e tive a oportunidade de participar da criação de um programa amplo, progressista e de certa forma revolucionário em relação ao Confea. Neste momento eu deixava de ser um candidato de um grupo que me escolheu, por falta de opção ou de voluntários a cumprir a missão, para enfrentar o bom combate e ampliar nossa força.


Sabíamos, desde o primeiro momento de nossas enormes dificuldades para ampliar nosso discurso, ultrapassar as incompreensões de nossos companheiros da luta real contra o fascismo e o negacionismo, para superar os personalismos e ampliar o bom debate de forma aberta e generosa, sem vacilar quanto a princípios básicos em defesa da Democracia, da Soberania Nacional e das Engenharia, Agronomia e Geociências. Nossa campanha não se rebaixou e não disputamos contra pessoas e sim contra correntes que sonharam e continuam a sonhar com um modelo de país implantado e fortalecido pós golpe de 2016.


Terminado esse período eleitoral, que caminho nos resta?


  1. Reconhecer a participação importante de pessoas, personalidades e entidades, associações, clubes, institutos e movimentos nessa luta que, apesar de derrotada nas urnas, abre novas perspectivas de luta em defesa da Engenharia, em seu conceito amplo, e do futuro desse país;

  2. Aglutinar companheiros e entidades para juntos e em torno de nosso programa elaborado a muitas mãos, construirmos uma grande frente que nos leve a um protagonismo responsável e ciente de sua importância para a reconstrução da Engenharia e do país;

  3. Ter consciência para entender o nosso papel nessa grande frente proposta, que antes de tudo tem que ser ampla e comprometida com os valores caros ao campo das forças políticas progressistas, não hegemônica e não personalista para que atenda aos seus objetivos e propósitos;

  4. Lutar contra todas as tentativas de nos diluir, dividir e diminuir nossas bandeiras, organizações e lutas. Nossa luta não se encerra no fim do processo eleitoral, muito menos na nossa entidade, ela é ampla e inclusiva, e assim deve continuar a ser para que possamos atingir os objetivos traçados em nossa Carta de Princípio.

  5. Como bem dizia Darci Ribeiro, muito bem lembrado pelo nosso companheiro Pedro Pereira Paula e que eu tomo a liberdade de adaptar a seguir: Nós somos homens de causas. Vivemos sempre pregando e lutando como cruzados pelas causas que nos comovem. Elas são muitas, demais: a valorização da Engenharia, da Agronomia e das Geociências; a Educação, a defesa de nossas estatais estratégicas, o respeito e fortalecimento de nossas entidades, associações, sindicatos.... e a essa adaptação somo mais uma afirmação escrita no blog do nosso companheiro Iso Sendacz: “é fato que a única luta que não se vence é a que se abandona”.

Considero que nossa grandeza em entender e contribuir para a formação dessa grande frente, proposta acima, ao invés de nos diminuir, nos fortalece e engrandece pela reconstrução desse país. É hora de construir, de unir e de estabelecer pontos comuns de luta nessa grande frente, sem deixar de lado nosso próprio crescimento e unidade.


A unidade em cima de programas nasceu da luta e vai crescer na luta e da compreensão do papel de cada movimento dentro do computo geral das forças agregadas nessa grande frente, respeitando-se suas particularidades, prioridades e questões intrínsecas a cada uma delas.


Nós da EngD, sabemos que temos um papel primordial em defesa da Engenharia, da Agronomia e das Geociências, temos claros os nossos objetivos descritos em nossa Carta de Princípios e Plano Estratégico e devemos ter a clareza necessária para puxar essa frente proposta com a missão de defendermos o projeto de reconstrução desse país com apoio das Engenharia, Agronomia e Geociências.


Vamos à luta! Não devemos deixar morrer esse momento de unidade e luta!


Um grande abraço a todos.


* Amaury Monteiro Jr. é membro do Conselho Deliberativo da EngD. Foi candidato à presidente do Confea em 2023.
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