Enchentes em São Paulo: tragédia anunciada
- EngD

- há 3 dias
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Nestor Tupinambá
Vejam o estado trágico de São Paulo. A tragédia do casal engolido pela enxurrada do córrego Morro do S faz os moradores pedirem mais obras. Mas essa galeria foi construída pela gestão Erundina. Num empréstimo do BID, ou BIRD, junto com canalizações do Córrego do Jaguaré, Av. Hélio Pellegrino, etc. É nova, portanto. Foi mal projetada? Não.

Os cálculos hidrológicos da vazão usavam, na época, 60% de cobertura vegetal. O Tc, Tempo de Concentração era de cerca de 30 a 40 minutos para a gota mais longínqua atingir o talvegue. Hoje é de 10 a 12 minutos. Piscinões em último, ultimorum, caso.
Falta cobertura vegetal! O Metrô usava 80% de cobertura vegetal, T Retorno da chuva=50 anos. A PMSP usava 25 anos. Mas além de rápida chegada ao fundo de vale, pela hiperimpermeabilização da cidade, encontram a anormalidade urbana paulistana! Avenidas de fundo de vale! Onde deveria haver Parques Lineares, ao longo dos córregos, há avenidas que as imobiliárias usaram para a construção bem lucrativa. Compra o terreno ainda mato, constroem as avenidas e galerias e os edifícios!
Às caras galerias vão se assoreando com materiais de toda a natureza, tornando a necessária limpeza mecânica, impossível! E aí o geólogo Álvaro de Souza, pesquisador e autor, traz más notícias. Temos 8.100.000 m3/ ano de materiais de assoreamento. Ou 13,5 m3 de solo/ habitante, da capital. Então essa conjugação, trágica, produz caudais volumosos, porque não há vegetação para diminuir o tempo de concentração, e, ao chegarem nas galerias, encontram sessões assoreadas, muitas vezes, com mais de 1,0 m de um material endurecido e dificílimo de ser erodido manualmente.
Então temos a desgraça perfeita. Vazões torrenciais, causadas pelo aquecimento global, pistas impermeabilizadas para sua vazão ( as ruas ) e galerias que perderam sua capacidade de vazão.
Do outro lado cortam-se de modo febril árvores e arbustos. Recuos são eliminados, 5.200 árvores derrubadas em Pinheiros, nos últimos 2 anos, onde o Pró Pinheiros luta heroicamente. Mais milhares no Salesiano, Lapa, o dispensável túnel da Senna Madureira, o " sofisma da vacina" no Butantã, etc. E ainda se fala em 60.000 árvores em São Mateus para a instalação de um incinerador de lixo!
Segundo a revista Veja, o prefeito é verde. Anda com uma pá no bolso. Mas as árvores centenárias dão lugar às pequenas mudas! Daqui a uns 50 anos, veremos os resultados. Até lá viveremos uma Veneza tropical. Sem gôndolas mas com mortes, feridos, desaparecidos, perdas de bens, prejuízos de comerciantes, doenças de toda a sorte! E a população continua mal informada.
Precisamos de esclarecimento técnico e que não engane nossos cidadãos.
Nestor Tupinambá é Engenheiro Civil ( EESC USP), mestre em Planejamento Urbano ( FAU USP), Consultor e Conselheiro do SEESP - Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo - SP.



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