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Estudantes da USP em greve por melhores condições de ensino e aprendizagem

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    EngD
  • há 5 dias
  • 4 min de leitura

Posicionamento dos Representantes Discentes dos Conselhos Centrais da USP



Os Representantes Discentes dos Conselhos Centrais da Universidade de São Paulo abaixo assinados, munidos de suas atribuições enquanto porta-vozes de todos os estudantes da “maior da América Latina” perante a reitoria e as pró-reitorias, vêm prestar apoio ao Comando de Greve da USP e à Greve Estudantil de 2026 e exigir a reabertura da mesa de negociações com os estudantes. Essa é uma condição-chave e indispensável para a manutenção de um ambiente democrático, marca da USP enquanto instituição pública de ensino, pesquisa, extensão e vivência universitária.

Nesta toada, reiteramos o apoio a todas as demandas do corpo estudantil, muitas de caráter emergencial, como a situação dos bandejões e da moradia estudantil, por todos os campi. Sobre moradia, inclusive, ressaltamos a necessidade de não só serem feitas medidas de curto prazo, mas que sejam planejadas ações de médio e longo prazo, envolvendo a construção de conjuntos residenciais estudantis nos campi que ainda carecem de uma estrutura do tipo, destacadamente na USP Leste – EACH.

Também vemos como de extrema importância que o diálogo entre instituição e discentes se mantenha na discussão e implementação das propostas aceitas e divulgadas pela reitoria, destacadamente, no âmbito das cotas trans, cotas para pessoas com deficiência e vestibular indígena – e em políticas de permanência e acolhimento – e na mobilidade intra e intercampi, com linhas gratuitas (que aceitem BUSP) e incentivo à mobilização ativa (a pé e de bicicleta).


Compromissos concretos com medidas de valorização do Hospital Universitário e dos Hospitais das Clínicas da USP são urgentes, bem como a correta avaliação e consequente extinção do programa Experiência HC, criado à revelia da comunidade estudantil e de servidores e que vende a USP cada vez mais à lógica de mercado, negociando a saúde e vida humanas, sem o menor escrúpulo. Acrescentamos a necessidade de observar criticamente as (péssimas) condições de acessibilidade por todos os campi, com a formação de um Grupo de Trabalho que cobre e incentive melhorias nas unidades, afinal, uma universidade democrática e pública deve dar condições de participação e acolhimento a todos, não podendo tomar nenhuma condição preexistente como barreira intransponível.


O pequeníssimo esforço da reitoria, com o aumento mínimo no PAPFE, ainda passa longe de ter qualquer cabimento enquanto política de permanência baseada nas condições reais de vida em São Paulo. Reiteramos nosso apelo para que o PAPFE chegue a, pelo menos, um Salário Mínimo Paulista. Se a nossa universidade exige e preza por excelência acadêmica, ela deve dar condições de vida para tal. Como esperar excelência acadêmica de estudantes que mal conseguem pagar o aluguel? Assim, a USP apenas gera um ambiente de insegurança e instabilidade material, psicológica e emocional – que, diga-se de passagem, em nada contribui para o desenvolvimento do tripé ensino, pesquisa e extensão.


No âmbito da pós-graduação, trazemos a preocupação com a escassez de bolsas de pesquisa e seus valores insuficientes para a dedicação integral de pesquisadores. Registramos a indignação com editais de bolsas de mestrado e doutorado propostos pela pró-reitoria de pós-graduação que não contemplam o período completo do curso.

Trazemos ainda, com especial destaque, a exigência urgente de mudança da postura da reitoria e da pró-reitoria de graduação quanto à greve. Não é cabível que, mesmo após duas semanas desde a primeira mesa de negociações, não tenha sido firmado um acordo de não-retaliação por parte da Universidade. A greve é legítima, decidida em cada localidade pelos seus respectivos corpos estudantis, via participações massificadas em assembleias por todos os campi. As reivindicações estudantis são justas e necessárias para a boa manutenção das condições de estudo e permanência.

Com isso, questionamos: é verdadeiramente democrático e aberto o posicionamento de simplesmente fingir que nada está acontecendo e reiterar uma diretriz autoritária de que não haverá abono de falta ou adaptações de calendário? É democrático abrir margem para processos administrativos contra estudantes que estão apenas defendendo o direito de todo o corpo estudantil à alimentação e permanência dignas? Atitudes como essas partem de um entendimento equivocado: uma greve não ocorre por mera vontade de estudantes; mas, sim, por necessidade e esgotamento de todas as demais instâncias de reivindicação – nos conselhos e comissões locais de cada instituto e gerais da USP. A greve ocorre enquanto última medida para chamar a atenção da instituição e promover o tão necessário diálogo em torno de demandas há muito ignoradas ou postergadas.


Portanto, se é do interesse da reitoria que a greve não se prolongue, o melhor a fazer é retomar o diálogo e a mesa de negociações, dando ouvidos verdadeiros aos apelos estudantis, que sofrem, dia a dia, por falta de condições básicas na “melhor da América Latina”. Somente com avanços conjuntos é possível pensar em um justo fim para a greve.


Sem mais,


RDs dos Conselhos Centrais da USP

Azri Pessoa - FFLCH - RD da CoIP

Beatrice Mennitti dos Santos - FFLCH - RD da CoIP

Bruna Luiza Castilho Rossoni - FD - RD do CoCEX

Carlos Eduardo Borba Costa - EACH - RD do CoCEx

Carolina Bianchini Bonini - FFLCH - RD do CoIP e do CoPI

Charlon Fernandes Monteiro - FFLCH - RD do Co

Diego Roiphe de Castro e Melo - POLI - RD do CoG

Ekop Novis dos Santos - FD - RD do Co

Felipe Scalise - Ciências Moleculares - RD do CoG

Francisca Paludetto Silva Sarto - FE - RD do CoG

Giulia Baffini Santana - EACH - RD do Co

Giovana Oliveira Alves Santos - IQ - RD do Co

Henrique de Andrade D’Ambrosio Retti - ICB/IO - RD do Co, CoIP, CoPI, CAA e CP

Hugo César da Silva - FFLCH - RD do CoIP e do CoCEX

Isabella Megara - ECA - RD do CoG

Julia Emmilyn Almeida da Silva - FFLCH - RD do CoIP

Júlia Urioste L. Souza - FFLCH - RD do Co

Juliana Lopes Chaves Fiorese - IRI - RD do Co

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