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O “fim do mundo acabou”


Por Cíntia Dias O “fim do mundo acabou”. Pelas mãos da representação do povo Brasileiro o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu a faixa presidencial no dia 01/01/2023. Toda simbologia deste momento histórico entoou com a multidão que acompanhou e trabalhou muito para defender o Estado democrático brasileiro, frente as ações do fascismo que avançou no país nos últimos 4 anos. Mas, sob o sol escaldante e calor no coração, o Brasil parou e se emocionou com a retomada da esperança de dias melhores.


Empossado e emocionado, o presidente Lula falou sobre muitas coisas, das quais brasileiras e brasileiros sonharam. Reafirmou o compromisso de matar a fome, se comprometeu em valorizar o conhecimento e a cultura, ressaltou a necessidade de investir na (Re)industrialização e na proteção do meio ambiente e dos povos originários, garantiu ampliar direitos e devolver a dignidade ao povo. Coisas, relativamente básicas, mas primordiais e que fizeram falta nos últimos anos. As estatísticas da fome, do desemprego ou trabalho análogo a escravidão, da devastação das nossas riquezas naturais e naturalização da violência se somam ao retrocesso que partiu no avião em direção a Disney. Mas criminosos não podem ficar em parque, os crimes contra a humanidade devem ser punidos e encarcerados.


Lula também falou ao povo sobre pacificação e unidade. É papel de todas e todos reatar laços fraternos com a família, amigos e pessoas queridas que por hora foram rompidos, em parte, pela ignorância fertilizada nasfakenews do ódio dos “miseráveis”. Lula pede “Chega de separação, unidos somos fortes”. Realmente o divisionismo imperou nas relações sociais. E esta fase precisa de um fim, deve ser superada. No entanto, não há como desmerecer: ao mesmo tempo que descobrimos gente ruim muito próximas de nós, descobrimos também que a ignorância alimentada é fascista.


E superar para unificar passa por combater e responsabilizar os protagonistas do terror. As ações e reações sobre o ódio também é uma construção social que aflora, mas não brota do nada.


Para superar e avançar, novas regras precisam ser restabelecidas e outras combatidas. Restabelecer dignidade passa por emprego, direitos trabalhistas e civil, reforma agrária, proteção meio ambiente... E para além das políticas socioeconômicas o Brasil precisar ser dos e para os brasileiros. Só se combate a ignorância com o conhecimento, esse é o ponto primordial e não secundário. Pagamos alto demais pelo desmonte histórico da educação no Brasil, pela fé no esquecimento do passado que não passou. O país ainda respira as condições de Brasil Colônia escravagista, patriarcal e ordinária. Um basta a este passado é um presente de reconhecimento da nossa história, é o conhecimento.


Somos uma país continental, mas é chegada a hora de sermos uma nação. O povo brasileiro merece se orgulhar e desfrutar das próprias riquezas, festejar sua diversidade e explorar a ciência e tecnologia. Temos muito do que precisamos aqui, reconhecer essas potencialidades é um bom início. Mas, esta situação não será heroica e, portanto, não partirá de um ou outro, mas de todos e todas que constroem essa noção de nação. Daí voltaremos ao conhecimento. Afinal a “educação não muda o mundo, a educação transforma pessoas e pessoas mudam o mundo” (Paulo Freire).

Que o sujeito histórico que há em mim encontre o sujeito histórico transformador que há em você. Somamos, sonhando venceremos... a luta continua!


Cíntia Dias é feminista, sindicalista, Cientista Social e mestrando e Sociologia

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