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Odete dos Santos | O Planeta pede socorro



Navegando nas redes sociais, na TV, nos sites de notícias, me foi impossível não fazer uma analogia com situações do cotidiano. Me refiro a tragédia das chuvas no RS, não conheço as cidades atingidas, nunca fui ao Sul, máximo estive em Curitiba.

 

Quando vejo estas tragédias nas cidades metropolitanas, penso no que causa tudo isso. E me vem à mente a impermeabilização do solo, para construção de estradas, ruas, edifícios e o asfalto é o que mais se utiliza para esse fim.

 

O solo deixa de ter então sua função de transportar as águas da superfície para o subsolo e, de lá, retornar aos rios, córregos, mar, que por sua vez com o sol evaporarem e se transformar em nuvens e em chuvas e o ciclo continuar. Aprendemos isso na escola, em Ciências; ainda se leciona esta matéria para nossas crianças?

 

Lógico que as cidades pensam nas tragédias que podem advir de enchentes, pensam em represar a água, pois necessitamos dela para viver, aliás pagamos por ela! Pensam em como se proteger, caso ocorram problemas.

 

Para isso que serve, ou deveria servir, a política, os governos, para legislar a favor de seu povo.

 

E aqui entra a engenharia, que é a ciência que estuda tecnologias diversas com o propósito de fornecer soluções à diversos tipos de problemas que temos no dia a dia. Não é simples, ao contrário, é complexo. E, em função desta complexidade, a engenharia é subdividida em várias áreas, cada qual cuidando da sua, mas sempre interagindo uma com as outras.

 

E a analogia que pensei se refere a um empreendimento, ou vários, onde as prefeituras locais o aprovam. Nos projetos, há o que chamamos de áreas permeáveis, que são áreas gramadas, com árvores, que permitem que as águas de chuva, águas servidas, penetrem no subsolo e cumpram seu papel neste ciclo.

 

Tudo foi minimamente pensado e executado para funcionar desta forma, toda rede de águas pluviais é direcionada de forma a não causar transtornos a quem ali habita.

 

Não é um trabalho executado de qualquer maneira, é um trabalho pensado, calculado, é sério, que caso esteja errado, por qualquer motivo, irá gerar sanções a quem fez errado. Para isso serve a justiça.

 

Uma vez projetado, é executado, testado e, então, liberado para uso. Neste ponto começam os problemas, quando pessoas leigas começam a pensar que poderia ter sido feito diferente, pensam e falam e lutam por isso, sem qualquer conhecimento técnico e sem solicitar ajuda de técnicos para estas alterações, e muitos resolvem e executam a seu modo, alterando um projeto que demorou tanto a ser concebido.

 

E é então que começam os problemas tais como enchentes, transbordamentos de esgoto, águas pluviais, buracos, trincas, etc. A permeabilidade do solo é necessária para vivermos melhor.

 

Os cientistas e técnicos estão estudando, fazendo testes, para criação de pavimentação permeáveis. No mercado, já encontramos muitas opções. Quando vejo fotos que amigos que moram fora do Brasil enviam, verifico que esta impermeabilidade que existe no Brasil não existe fora daqui.

 

E o que irá mudar nossa realidade? Eu digo que o estudo, a educação, o amor as nossas conquistas, o incentivo a ciência, a tecnologia, e o respeito a vida, sem isso, as tragédias prosseguiram, e nosso futuro e de nossos filhos serão incertos.


* Odete dos Santos é membro do Conselho Deliberativo da EngD (Engenharia pela Democracia)

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